Algumas lições de José Engling para o isolamento social

Atualizado: Mai 2




José também celebrou missa a distância, esteve afastado dos amigos e enfrentou muitas dificuldades – mas foi assim que sua vida se tornou heroica

Bernardete Ponce – Queria pedir licença para partilhar com vocês uma experiência pessoal. Nesses dias tenho feito algumas reflexões para entender o plano de Deus com essa pandemia que vem acometendo grande parte do mundo. Deus, eu acredito, está no controle, está permitindo tudo isso e, então, quero descobrir o que ele espera de mim pessoalmente nesse momento e em qual sentido ele deseja a minha transformação e o meu crescimento interior por meio disso tudo. Convido cada um, cada irmão na Aliança de Amor, a também fazer essa reflexão.


Preparando um material de formação para a União de Famílias de Schoenstatt, busquei um livro que fala sobre a vida de José Engling (o livro “Herói de Duas Espadas”), que me permitiu uma profunda reflexão para o período que estamos vivendo.


José Engling e o isolamento social

José Engling, quando vivia no seminário, em Schoenstatt, teve de ficar sozinho por um certo período. Na Páscoa de 1916, todos os seminaristas tiveram permissão para passar as férias em casa, por causa das dificuldades de alimentação no seminário. Para Engling, porém, uma viagem tão longa não compensava, devido aos gastos e a condição econômica limitada de sua família. Ele, por isso, decidiu permanecer em Schoenstatt, pois essa seria uma boa oportunidade para estar a sós consigo mesmo.


Certa manhã, quando José Engling saiu para caminhar, sentiu que a primavera poderia partilhar com ele um segredo e então, no seu coração, captou a mensagem: “Hoje é primeiro de maio. É por isso que os bosques e os prados andam nessa atividade febril. Cada qual se esmera em preparar à sua Rainha as mais belas homenagens com perfumes e flores. Não quer você também associar-se a esse preito da natureza?”


Engling voltou para casa, tomou o caderno e escreveu: “Flores de maio do jardim de meu coração, oferecidas à Rainha de Maio em seu mês de 1916. Mãe, a ti seja consagrado o jardinzinho de meu coração; para ti quero plantar e cultivar”.


Ou seja, foi num momento em que ele se encontrava a sós que surgiu essa corrente de vida tão rica, que até hoje nós imitamos: as Flores de Maio.

Visitas espirituais ao Santuário


Durante o período que serviu como soldado, na guerra, José Engling permaneceu afastado fisicamente de Santuário e poucas vezes pode visitá-lo. Mesmo assim, ele “viajava” até lá espiritualmente todos os dias, como conta, numa carta, ao Pe. José Kentenich: “Há alguns dias, quando as granadas caíam à direita e à esquerda, perto de mim, eu, como de costume, rezava à Mãezinha, e em espírito transladava-me à nossa Capelinha. Então sentia-me tão unido a ela como nunca em minha vida. Tão doce e amável parecia-me sua presença, que não experimentava o menor temor diante das granadas. Era um estado de tanta felicidade que eu teria gostado de permanecer nele para sempre. Como é bela e sublime, como é amorosa e inspira confiança a nossa querida Mater Ter Admirabilis. Muitas vezes sinto uma grande saudade do nosso Santuário, do senhor e dos queridos congregados” (20/05).


José queria tornar-se santo sob a proteção de Maria e pôr-se ao seu serviço. Não apenas sua pessoa, mas também seu trabalho cotidiano devia ser consagrado a Ela. Neste sentido, compôs uma oração, pela qual oferecia seu dia à Mãe Três Vezes Admirável. De certo, o dia presente lhe exigiria duros sacrifícios: trabalho de escavação, cansaço paralisador, fome, ataques imprevistos, corridas cheias de perigos e a maior responsabilidade no posto de sinais. Tudo devia ser uma ininterrupta contribuição ao Capital de Graças.


A missa à distância

Também era impossível, para Engling, participar da missa com regularidade, por causa da guerra – então ele o fazia à distância:


“Em seguida assistia espiritualmente à Missa. Em Schoenstatt e em muitos outros lugares se estaria celebrando àquela hora. Para unir-se mais estreitamente ao santo sacrifício, fazia a comunhão espiritual. No sacrifício incruento da cruz encontrara a expressão mais perfeita de seu ideal pessoal: ‘Tudo para todos’. Já em Schoenstatt ele se preocupara em fazer da Missa e Comunhão o centro e a culminância de seu dia”.

Durante as Missas, transportava-se ao Santuário de Schoenstatt; assim realizava simultaneamente sua peregrinação espiritual. Na realidade, ele vivia mais no Santuário do que na frente de batalha e era isto que lhe dava, nas horas de maior perigo, a tranquilidade interior e aquele sangue-frio que tanto surpreendia os companheiros.

Ele também cultivava a íntima união com o Cristo eucarístico durante as suas duas “horas de guarda”, uma pela manhã e outra pela tarde. Assim passava ele seu dia em união com Jesus crucificado e tinha a força e a coragem necessárias para sacrificar-se pelos outros. Para manter sempre vivo este espírito de sacrifício, propôs-se fazer diariamente um ato de renúncia, num ponto que mais lhe custasse.


Engling desconhecia o conceito “não ter tempo”. De tarde, recolhia-se por 15 minutos para a leitura espiritual. Nas últimas semanas fizera-a em meio ao estrondar das granadas e ao zunir dos estilhaços. Ao longo das solitárias horas de observação, nas caminhadas levando mensagens ou quando buscava comida, rezava o terço. O dia culminava com o exame de consciência, a oração da noite, as marcações no Horário Espiritual e o ato de contrição perfeita. E, pela última vez no dia, peregrinava em pensamento a Schoenstatt, a fim de pedir a bênção ao confessor, Pe. Kentenich, conforme haviam combinado.


Como ele conseguia tudo isso?

Se José conseguia manter-se mergulhado neste divino isolamento, repleto de Deus, não era isso devido unicamente ao esforço de sua vontade, mas principalmente à riqueza de uma vida interior dirigida pela Graça.


Que nós possamos aproveitar este tempo em que estamos isolados para um mergulho no amor de Deus. Que a experiência do isolamento seja para nós motivo de encontro. Que a experiência em nossa Igreja Doméstica fortaleça os vínculos com os nossos e com o céu. Que saibamos entender o que realmente importa para, depois que tudo passar, pautemos nossa vida em novos e renovados valores.

*Citações retiradas do livro Herói de Duas Espadas, por Olivo Cesca, editado pelo Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt, 3ª edição.


Fonte: Schoenstatt.org.br

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